CES cresce mas empresas reduzem participação

Os participantes da Consumer Electronics Shows (CES), feira de eletrônica que começou na segunda-feira em Las Vegas, estão diante de um palco lotado e ruidoso no qual empresas de tecnologia de todo o mundo lançam seus mais recentes produtos. Mas é bastante possível que eles não vejam qualquer dos maiores sucessos da eletrônica em 2008.

A convenção, um dos maiores eventos anuais do setor de eletrônica, jamais foi tão grande. Cerca de 140 mil visitantes percorrerão o espaço de exposição de 168 mil metros quadrados.

Mas a despeito de seu tamanho, ou talvez por causa dele, a feira anual se tornou um lugar complicado, e por vezes ineficiente, para a introdução de novos produtos.

Criado em 1967, o evento no passado servia de plataforma de lançamento aos maiores sucessos do setor, como o videocassete, em 1970; o disco compacto, em 1981; e o DVD, em 1996.

Agora, os fabricantes de eletrônicos e analistas do setor dizem que a feira se tornou tão grande, ruidosa e tão preocupada com produtos eletrônicos exóticos que, para muitas empresas, ela serve mais como local onde se perder do como que oportunidade de serem descobertas.

Parte do problema é que a tecnologia encontrou espaço em tantos produtos ao longo dos anos - de brinquedos a implementos de cozinha - que se tornou difícil dizer exatamente o que deveria e o que não deveria estar exposto em uma feira de eletrônica.

“A eletrônica agora abarca tudo”, disse Michael Gartenberg, analista da Jupiter Research, que este ano não irá à CES, depois de comparecer às quatro edições anteriores. “Você tem um televisor de 150 polegadas e no estande ao lado alguém que vende escovas de dentes eletrônicas”.

Agora se tornou comum que as empresas de tecnologia introduzam seus produtos de outra maneira, em um esforço por chegar aos consumidores de modo mais direto. O Apple iPhone, o Nintendo Wii e outros eletrônicos obrigatórios recentes não foram lançados na CES. Um dos maiores sucessos do setor em 2007 foi a câmera de vídeo Flip Video, um aparelho portátil e fácil de usar vendido por US$ 120.,

Executivos da Pure Digital Technologies, a fabricante do produto, visitaram Las Vegas no ano passado durante a feira mas preferiram operar de sua suíte no hotel Wynn, informando discretamente aos representantes do varejo sobre o produto. A câmera foi lançada em junho com uma campanha publicitária em TV e o endosso de diversos astros a levou às mãos de Oprah Winfrey, que mostrou o produto em seu programa de TV em outubro.

“Especialmente no mercado de vídeo, o foco da CES é superar a concorrência em termos de recursos ¿ meu disco rígido é maior que o seu”, disse Jonathan Kaplan, presidente-executivo da Pure Digital. “O ruído nos encobriria, na feira, se tentássemos falar a consumidores que provavelmente não estariam nos ouvindo”. Diversos modelos e cores da Flip Video estavam entre as cinco câmeras mais vendidas no site da Amazon.com em dezembro.

Mesmo assim, a CES não tem concorrentes quanto ao número de produtos apresentados, os quais coletivamente representam bilhões de dólares em vendas anuais. Muitos fornecedores de todo o mundo exibirão televisores de alta definição, novos decodificadores de TV para o entretenimento doméstico, robôs, brinquedos eletrônicos e uma ampla gama de novos serviços de Internet. Alguns desses produtos podem superar o barulho e conquistar sucesso junto aos consumidores.

Gary Shapiro, presidente da Consumer Electronics Association, que administra o evento, afirma que as vendas de sucessos recentes empalidecem diante da receita gerada por categorias amplas como os televisores de alta definição, que desempenham papel importante na cena da CES.

Mas muitos dos produtos introduzidos aqui, em lugar de representarem saltos quânticos são simplesmente melhorias ou alterações técnicas que, embora importantes, talvez não exerçam efeito imediato sobre o consumidor.

Essa abordagem de melhora gradativa talvez seja uma das razões para que as novidades da feira do ano passado tenham sido ignoradas em favor de um evento muito menor: a conferência Macworld, em San Francisco, na qual a Apple apresentou o iPhone.

“Uma das razões para que a Apple tenha conseguido mais repercussão do que a CES no ano passado foi uma mensagem simples e sucinta”, disse Rob Enderle, analista do Enderle Group. “A CES não tem uma mensagem cristalina. Há informações demais, e parece que é necessário um doutorado para fazer com que aquelas coisas todas funcionem”.

A Microsoft costumava usar o discurso de abertura da feira por Bill Gates como evento de lançamento de grandes produtos, a exemplo do console de videogames Xbox, em 2001. Mas seus maiores lançamentos recentes não aconteceram na feira. O player digital Zune foi lançado no final de 2006, e o Surface, um computador operado por tela de toque, foi lançado em junho em outra conferência setorial.

Todd Thibodeaux, vice-presidente de relações industriais da Consumer Electronics Association, disse que as grandes questões da feira deste ano girariam em torno da combinação entre hardware e conteúdo. Os fabricantes de bens de consumo eletrônicos, ele disse, revelariam e tentariam formar parcerias com provedores de serviços de cabo, telefonia e conexão via satélite, bem como com empresas de mídia.

“Temos o maior evento comparativo do setor de eletrônica”, disse Thibodeaux. “E, em termos de inovações importantes, somos maiores que nunca”. Mas a feira resultará em um produto de grande sucesso? “Não me surpreenderia se algo acontecesse no segmento de WiMax”, uma nova tecnologia de comunicação sem fio de longo alcance, afirmou. “Ou pode ser o robô Rolly, da Sony. É um pequeno player de mídia que se movimenta como robô”.

Fonte: Terra

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